Creio que apenas uma vez, ou talvez duas, estive num café
Starbucks e não por escolha própria, mas por sugestão alheia. Já sei que não me adequo
a cadeias de produtos americanos, com muito plástico e papel, barulhentos e que
aparecem nos filmes (julgo). Mas quando soube do atraso do meu voo, decidi
tomar o tempo e enchê-lo com um cappuccino na cafetaria do
primeiro andar do aeroporto já minha conhecida, sossegada, sempre com pouca
atividade. Porém, ao assomar a esse tal primeiro andar, indo a subir linearmente
na escada rolante agarrada à minha mala azul, vejo que a cafetaria pequena tinha
sido substituída por duas enormes cadeiras de massagem que você-não-pode-perder ou lá o que é,
das quais eu fujo de entrar não vá de repente a massagem ser mesmo boa de verdade
e eu me catapultar para o espaço, perder o voo, por muito atrasado que esteja e
tal e tal. E a seguir a este ponto final dizemos que por detrás desse lugar da desaparecida
cafetaria toda jeitosinha, está um suntuoso espaço muito bem decorado a paredes
pretas e sofás em castanhos vários e mesas próprias, umas redondas outras não,
denominado Starbucks. Sim senhor. Hesitei primeiro, claro, mas logo pensei oh, vamos lá abrir a
mente a um novo conceito de consumir plástico e papel num produto americano em
ambiente barulhento, já que tenho de preencher o atraso do meu voo e já vejo
que há tomadas elétricas junto às mesas próprias, podem dar jeito. Suntuoso soa tão
fraquinho sem o “m” e o “p” removidos pelo chato do acordo ortográfico, mas por ora fica. Então
entrei e pedi um cappuccino na caixa do pré-pagamento. Recebi logo em troca uma
enxurrada de perguntas sobre as possíveis variedades do referido cappuccino,
uma delas era o tamanho, a outra ainda estou para saber qual era, nem a
repetição me esclareceu. Pedi normal e pequeno, ok, pode ser? Podia, mas foi
preciso dizer o meu nome. O meu nome?! O meu nome! Disse-o devagar e bem
articulado. Eles ali escrevem o nome das pessoas nos copos de papel para depois
as chamarem em alta voz quando a bebida estiver pronta, como se aquilo
demorasse séculos a preparar, a bebidinha de nada, é que não estamos a falar de
uma costeleta de novilho bem passada, ou de um belo bacalhau espiritual, não
estamos a falar de um linguado au meunier,
não estamos, o que estamos é a falar de um cappuccinozinho pequeno e normal, ponto. Portanto é um marketing todo ali especial e suntuoso (preciso de me habituar a esta
palavra). Argh. Odiei ouvir o meu nome desbravado assim à larga por cima de um
espaço tão… grande. E mal escrito que ficou. A comunicação com o empregado não foi das boas. Eu fiquei Suzanna. Ele não sei. Não perguntei.