o carro estacionado ao sol fazendo as vezes de forno,
a estrada de terra batida a libertar-se de montes de pó,
a paisagem urbana absolutamente desprovida de qualquer pitada de bom gosto.
Tipo assim.
Nos últimos anos, o Algarve apenas me serve os seus efeitos na pele bronzeada das minhas filhas, da minha irmã, de uma ou outra vizinha, e estamos bem.
Ricas férias de que me queira servir compreendem encharcar-me bastante de livros, de preferência acompanhada de muitas árvores, pássaros enchendo o ar aos bandos, uma brisa estival, um vinho branco ao pôr do sol, uns cursos de água por banda sonora. Claro que as cerejas podem vir para o topo do bolo: um pequeno museu a pulsar uma vida antiga, uma aprendizagem inesperada, um quadro contando uma história densa, um filme de época, uma coincidência celeste.
Em todo o caso é fundamental não construir expectativas estilo rococó e, para temperar, a continuação de um cafezinho à minha frente.
(Em particular, recomendo imenso As Árvores, de Percival Everett. Mas imenso.)
Por estes dias lembro-me muito da Lousã e dos veados e desejo que tudo esteja bem. Eu gosto de férias de aldeia, muito mesmo. Mas também do Algarve, tenho o sal de lá no sangue, não posso fazer nada...
ResponderEliminarQuerida CC, mas o Algarve tem muitos encantos, eu é que parece que não me saí muito bem a captá-los na primeira pessoa.
EliminarE depois veio a serra.
Ainda não voltei à Lousã desde que começou este inferno de fogos, mas no meu pequeno mundo está tudo intacto. 🌳🌳
Boa continuação de agosto!