a voz à solta


Se leio, saio de mim e vou aonde me levam. Se escrevo, saio de mim e vou aonde quero.

05/01/2026

Café, maçãs e sopinha

Depois da fulgurante gripe que me baixou no virar do ano, a febre tendo-se já retirado e a bigorna sobre a cabeça também, restam ainda alguns companheiros de jornada típicos. Como a falta de apetite. É que nem para café ele aparece. Café! esse meu querido amor quentinho. Mas enfim, não quero queixar-me. 
Até porque, ao consultar o encadeamento das estações para esta noite, ficaram-me os olhos presos em Chão de Maçãs - Fátima, e não foi por Fátima não senhor. Que rica peça de fruta suculenta agora eu comia lindamente. 
O jantar resumiu-se a uma sopa com ovo. Uma sopa consumida devagar, uma sopa dada a pensamentos iluminados assim: quem declara "já comi a minha sopinha", enquanto esfrega as mãos do frio e sorri para a gente, é pessoa boa. 
É pessoa que não precisa de fazer maldades para ter mais coisas, mais terras, mais sopinhas. Melhor, é pessoa que está a salvar o mundo como os justos de Jorge Luis Borges. Sim, é pessoa que está a salvar o mundo. 

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