a voz à solta


Se leio, saio de mim e vou aonde me levam. Se escrevo, saio de mim e vou aonde quero.

05/05/2017

De bestial a besta

- Eu acho um exagero. É só Fátima, Fátima.
Enquanto a senhora da livraria diz isto, abana a cabeça e digita no terminal multibanco o valor da minha compra antes de virar o aparelho para me incentivar a digitar eu o verde código verde, agora até já nem é isto que se ouve, agora ouve-se imenso é o nosso próprio número de contribuinte dito em modo automático e será assim até ao final da vida, não sabemos, mas diz aquilo a senhora ao meu comentário que ainda não entrou no post e que foi assim: agora é tudo sobre Fátima. E é mesmo, aqui à beira da zona de pagamento da livraria é tudo livros sobre Fátima, pequenos e grandes, infantis e para crescidos, é muitos.
- Então e aquele terço enorme da Joana Vasconcelos? – a voz é a desta senhora, eu digitando no terminal.
- Eu não acho graça nenhuma ao que ela faz, sinceramente – continua – mas também, quer dizer, era preciso uma pessoa ir assim de bestial a besta? Agora só a atacam, só a atacam! As pessoas exageram!

Portanto eu tive logo vontade de dissertar sobre este e outros assuntos parecidos com este, ainda por cima gosto de conversar com esta senhora, mas hoje houve que optar. Optei por pegar nos livros, emitir que me agradam algumas obras da Joana Vasconcelos e já outras não, as do croché a revestir animais de loiça por exemplo não, enquanto os meto no meu saco próprio, aos livros, saio da loja desejando bom fim de semana e rumo ao supermercado para comprar cebolas, morangos biológicos, bananas, pão e pensos higiénicos. Os pensos higiénicos eram capazes de tirar completamente a poesia ao post, se ele a tivesse.

11 comentários:

  1. A arte, apesar de tudo, não exerce sobre as massas o poder sugestivo que têm as crenças afirmativas, mesmo falsas. Esta semana tem sido tempo de vozes à solta. A próxima promete não ser muito diferente.

    Boa noite, Susana.

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    1. E essas crenças afirmativas, contagiantes ou contagiosas, levantam ondas por vezes sufocantes, e mesmo cruéis.
      Parece cada vez mais difícil cada um pensar por si.

      Olá Impontual, bom dia :-)

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  2. ... mas se fossem tampões até davam para fazer um lustre, uma das obras da Joana :) polémica, é certo.
    Bom fim-de-semana e boas leituras a comer morangos(nunca pipocas).

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    1. Oh sim, esses tampões formando um lustre - ou um vestido de noiva? - em harmonioso trabalho de equipa, é notável. E adoro os sapatos feitos de panelas. :-)
      Bom fim de semana, minha querida Teresa.
      (os biológicos são mais variados em tamanho e mais rijinhos, bem bons :-))

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    2. Teresa, Teresa! Então eu venho toda lançada para fazer um comentário com tampões e tal, trocadilho com pensos e tal, e a menina já fez o mesmo? Ai! :P
      E pronto, era isto!

      Beijos às duas :)

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    3. A Susana deixou esta rasteira aqui para nós, pensos, quais pensos, em se tratando da Joana!

      Beijos às duas, também. :)

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    4. Era para ver se as meninas estavam com atenção e interpretavam a deixa como deve ser. Ganharam, portanto. Suas lindas.
      :-)

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  3. Ótima postagem gostei muito, ganhou um fã abraços.

    Me segue, que eu sigo de volta!

    http://nintudo.blogspot.com.br/

    https://plus.google.com/+NinTudo/

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  4. lá agora, Susana. tudo junto é narrativa poética com e sem métrica- à vontade do freguês, e foi só para rimar, que isto da métrica, tem ciência- e desejo um bom dia.
    beijinhos,
    Mia

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    1. Ó Mia, lá agora. Narrativa poética fica isso assim, posto por ti, que és uma flor das palavras, olha para isto.

      Uma boa sexta feira, querida Mia.
      E beijinhos também.

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