Enquanto a manhã de domingo avançava para a canícula vigente, levou o terraço a esfrega anual, desenterrando a sujidade que escapara às voltas dos varrimentos mais brandos. Desenrolada a mangueira com a pressão no máximo, fazendo-se acompanhar das vassouras num esforço aplicadíssimo e arredadas mesas e cadeiras, deu-se a remoção completa dos restos de coleção do último outono-inverno no que a folhas secas e raminhos entranhados nos recantos diz respeito. Também as polinizações da primavera, que trouxe os grelhados de peixes vários pingados aqui e ali, foram alvo da grande operação de fundo. Só os toros de lenha remanescentes se deixaram ficar amontoados a aguardar serventia quando, por incrível que hoje pareça, o frio descer à serra e o sol de novembro for de pouca força.
Os onze dióspiros hoje em tamanho verde e ritmo de crescimento lento, estarão então da cor do fogo, plenos de promessas tão suculentas como encantadoras.
Mas ainda julho mal começou. Aproveitemos pois o interior da casa de pedra, onde o fresco ainda se agarra às paredes muito antigas, a janela fechada deixa passar um pouco da luz da tarde e duas ou três moscas esvoaçam em círculos, num zumbir que vem do fundo dos velhos meses de verão.
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