a voz à solta


Se leio, saio de mim e vou aonde me levam. Se escrevo, saio de mim e vou aonde quero.

16/05/2016

Estranheza de conteúdo

Quem anda à chuva molha-se é tão verdade como o fenómeno de nunca ter o chapéu de chuva à mão quando preciso dele. Por outras palavras, traduz-se a ideia assim: isto de muito labutar chegou-me cá uma dor ao braço direito que se inscreveu para a categoria de lancinante. Dor lancinante. Enraizou-se entre dois músculos do ombro e dias volvidos já se tinha desenrolado para baixo, atingindo três dedos que andam sonolentos desde aí. O cotovelo não foi esquecido neste apanhar de todo o membro e eu, que não estou interessada em lancinâncias, optei (lancinâncias parece que não existe). Optei por instruir o rato do computador nesta segunda feira a mudar de mão. Só que à esquerda temos pouca conivência entre um querer (rato) e o outro querer (mão), isso viu-se às primeiras. Em folha de cálculo, ao querer aglomerar algumas células duas a duas em dezenas de linhas, vai o rato lançado numa correria na qual aglomeramos em equipa até à linha quinhentos e noventa e quatro, ou seja centenas. Compreende-se o entusiasmo, afinal o rato ainda não conhecia as maravilhas da esquerda nem tampouco estava esta habituada a bulir (bulir existe), até parece que se juntou ali a fome com a vontade de comer mas ao contrário (asneira atrás de asneira). Para repor o assunto e devolver as células aglomeradas sem intenção à sua individualidade de célula só, conseguimos inserir numa delas um comentário inadvertido que lá se meteu, foi mais uma coisa do novo parzinho rato na esquerda. O comentário ficou vazio, como seria de esperar.
O resto do dia fez-se lentamente, paciência, e, perto das cinco e meia, no minuto em que o sol me vem pousar nas mãos, a direita, arroxeada de insensibilidade (recordemos os três dedos dormentes), animou-se de tal forma que, quando damos por isso, está o rato de volta a casa e o trabalho a querer de novo fluir.


(estava a pensar escrever agora assim, para justificar: “post escrito muito à esquerda, daí a estranheza de conteúdo”, mas achei que o leitor iria tentar inferir daqui uma conotação política e eu não ponho conotações políticas no blogue, de modo que fica como está e está justificado à direita)

21 comentários:

  1. Diacho, isso lembra-me tendões... e médico, o quanto antes.

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    1. É já amanhã que levo o braço e os tendões ao médico :-)
      (É bom vê-la por aqui, alexandra :-))

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  2. Prepara-te para anti-inflamatórios e fisioterapia. Been there. Repeatedly.

    Beijos e as melhoras :)

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    1. Jesus... ok, estou preparada. :-(

      Obrigada, Mary darling, e beijos de volta. :-)

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  3. (Já tens um daqueles tapetes de rato com almofadinha? Sempre ajuda qualquer coisa...)

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    1. Não... eu nem tapete de rato sem almofada uso... acho um objeto muito dado a colecionar bactérias... mas com almofada talvez tente, sim. Boa ideia, Palmy :-)

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    2. (como assim? ainda há tapetes para ratos sem almofadas?!)

      cuida-te, Susana Amazona! tendinite dói que se farta e nós precisamos de ti a 100% (não vá a Pirata tentar roubar-nos outra vez :)

      um beijo

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    3. (os ratos hoje em dia só querem é descansar a cabecinha lá deles numa almofada esponjosa, lá isso é uma verdade...) :-)

      Ó florzinha das pétalas borrifadas, tu por onde passas deixas esse teu perfume, de modo que a Pirata não vai demorar a encontrar-nos aqui a conspirar coisas, ai não vai, mas nada temeis! que desembainhar a espada ainda consigo iháá!

      (a sério agora: eu às vezes fico deslumbrada com o que tu escreves, flor, lá nos teus blogues semi bloqueados)

      outro beijo :-)

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  4. Tem ares de tendinite, ou a caminho dela.
    As melhoras, Susana!
    Beijos

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    1. Ai... pois tem.
      Obrigada, Isabel, e outro beijo.
      :-)

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  5. Espero que isso já esteja a ser tratado, percebo-te na perfeição o usar o rato com a mão esquerda, andei três meses nessas andanças até que o venci :)

    As melhoras, tendinite dói que se farta e tende a piorar, quanto mais cedo a tratares melhor

    beijinhos :)

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    1. Ando a encher o braço de mimos e parece que hoje até já se sente melhorzinho. :-) E a mão esquerda a fazer progressos.
      Tendinite, eu sei, já vi gente contorcer-se com essas dores, por isso é que ando a ver se as finto.

      beijinhos, vizinha :-)

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  6. Há anos que uso o rato com a mão esquerda (e não sou canhota), mas não por conta do dito e sim pela maquinaria com que trabalho (também há anos). Não me lembro de ter sido muito difícil mudar de mão, mas às tantas é porque foi lá longe no tempo.

    As tuas melhoras. Beijinhos.

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    1. Gina, mas tu não precisas de ser canhota para fazer um malabarismo desses (e nem pergunto que maquinaria é essa, dá um certo medo a avaliar pela quantidade de cadeados que se costumam pendurar atrás de ti...) :-)

      Obrigada. Beijinhos de volta.

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    2. :)

      São máquinas de duplicar chaves, portanto não estás longe, e são realmente assustadoras, que aquelas freses, ui. Dei cabo dum bracinho, o direito, como está bom de ver, logo que comecei o ofício.

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  7. Dói que se farta, mas com medicação isso vai. Rápidas melhoras :)

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  8. Susana, que rato doido, até parece do Benfica...

    As tuas melhoras, querida Susana, (tenho um tendão de aquiles no banco dos suplentes; serve?)

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    1. Ao menos esse teu tendão, ainda que suplente, tem nome, e um belo nome. O meu coitadinho, ainda nada. Olha, vou batizá-lo agora mesmo de, deixa ver, Aurelius. Que tal? :-)
      Abraço daqueles já sabemos como, querida Teresa.

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  9. Conseguir transformar uma dor lancinante num texto de conteúdo bem-humorado (é esta a estranheza, não é? Pergunto-te eu de sorriso mais uma piscadela de olho a acompanhar)

    Espero que agora já estejas muito melhor, que o teu Aurelius :-) já esteja em muito melhor forma.
    Até já, querida Susana.

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    1. O meu Aurelius parece melhor porque, para além de eu lhe ter dado umas férias ao usar a mão esquerda, também lhe dei um nome, inspirada pela Teresa. :-)
      Gosto tanto das tuas palavras, Cláudia. Sempre tanto.
      Até já, querida Cláudia.

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