a voz à solta


Se leio, saio de mim e vou aonde me levam. Se escrevo, saio de mim e vou aonde quero.

25/04/2020

Um dia por post até ao Corona do fim - 41

Faz hoje um ano que acabaram as obras cá em casa. Foi num feriado porque eu ansiava demasiado por esse fim, não podia esperar nem mais um dia e, quem veio acabar o trabalho, acedeu a prescindir do seu descanso. Uns dias depois, mudei o canhão da fechadura e o respetivo conjunto de chaves. Mesmo assim, o meu apartamento foi assaltado, gentil e cuidadosamente, mais uma vez. Ainda não sei quem foi, mas é das poucas coisas que exijo da vida como se tivesse esse direito: astros, enviem-me o sinal claro, inequívoco, apontando com exatidão cirúrgica para quem levou todos aqueles objetos. Supérfluos, cada um deles, é certo. Mas só depois de saber quem foi, conseguirei desatar o nó e começar a tentar aumentar o coração para falar com ele, ou ela, e perdoar. Sem o saber, quem foi e porquê, também quero saber porquê, não serei capaz. E sabendo, sabe Deus. Se Ele existir.