a voz à solta


Se leio, saio de mim e vou aonde me levam. Se escrevo, saio de mim e vou aonde quero.

08/07/2026

Mistérios circulantes entre Lisboa e a Guarda

Viajar nestes comboios velhinhos intercidades é um fartote contra a monotonia e a previsibilidade. 
Em termos matemáticos, há a numeração dos assentos que não atribui a lugares contíguos números sequenciais, como toda a gente faz nos aviões, nas salas de cinema, de teatro, nos quartos de hotel. Nestes comboios velhinhos temos o lugar 107 junto ao 105 e o 108 junto ao 102. A lógica disto deve tirar-se no último ano de um curso muito avançado. 
Em termos de situações inesperadas que requerem um bocadinho de literatura improvisada, tivemos hoje o senhores passageiros lamentamos informar que o bar deste comboio não está a funcionar por motivos desconhecidos. Portanto é não vir com curiosidade na cabeça para dentro deste material circulante, porque ela continuará insatisfeita. 
Por fim, e para não maçar muito, deixo o relato sobre o que eu temia que viesse a acontecer devido à excelência de funcionamento da app: duas pessoas com bilhete válido para o mesmo lugar, uma delas eu. 

(ao menos interrompeu-se a ansiedade desgraçada que me consome há semanas, com a iminência da saída dos resultados dos exames de março) 

1 comentário:

  1. Há uma estranha poesia matemática nesses lugares desencontrados, como se fosse propositada para forçar conversas entre desconhecidos. Valha-nos a paisagem da Beira Alta.

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