a voz à solta


Se leio, saio de mim e vou aonde me levam. Se escrevo, saio de mim e vou aonde quero.

11/07/2026

Engomadorias, tomar nota

O caminho que faço quando vou a pé para o escritório tem, na reta final, uma zona onde confluem as pessoas que vêm dos comboios, do metro e dos autocarros. Tenho sempre de abrandar o passo, para não colidir com ninguém. Ficamos bastante aglomerados no passeio aguardando o verde para atravessar e, por vezes, nem cabemos todos no separador empedrado. Observo os que esperam, à minha frente, o semáforo abrir. 
Quase toda a gente transporta às costas uma mochila de computador; alguns levam também a lancheirinha do almoço.
Há dias, a camisa de tecido fluido e riscas verticais em terracota que uma mulher jovem vestia estava amarrotada como depois de secar da lavagem. Há mulheres que se recusam a passar a roupa a ferro e estão no seu direito.
Com este pensamento cheguei ao meu destino. Empurrei a enorme porta do edifício, subi as escadas e, ao entrar no escritório, dei os bons dias aos meus colegas já concentrados nas suas tarefas. 

4 comentários:

  1. Olha que bem...e nenhum comentário depreciativo?! Já pode passar sem a engomadoria.

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    1. Que eu ouvisse não. 😃 Um bom fim de semana, querida CC.

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  2. Provavelmente não seria amarrotado, Susana. Era apenas o ritmo da manhã vincado no tecido.

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    1. Isso é que é ver poesia onde ela afinal está. 😊 Um abraço, Daniel, bom fim de semana!

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