Em termos matemáticos, há a numeração dos assentos que não atribui a lugares contíguos números sequenciais, como toda a gente faz nos aviões, nas salas de cinema, de teatro, nos quartos de hotel. Nestes comboios velhinhos temos o lugar 107 junto ao 105 e o 108 junto ao 102. A lógica disto deve tirar-se no último ano de um curso muito avançado.
Em termos de situações inesperadas que requerem um bocadinho de literatura improvisada, tivemos hoje o senhores passageiros lamentamos informar que o bar deste comboio não está a funcionar por motivos desconhecidos. Portanto é não vir com curiosidade na cabeça para dentro deste material circulante, porque ela continuará insatisfeita.
Por fim, e para não maçar muito, deixo o relato sobre o que eu temia que viesse a acontecer devido à excelência de funcionamento da app: duas pessoas com bilhete válido para o mesmo lugar, uma delas eu.
(ao menos interrompeu-se a ansiedade desgraçada que me consome há semanas, com a iminência da saída dos resultados dos exames de março)
Há uma estranha poesia matemática nesses lugares desencontrados, como se fosse propositada para forçar conversas entre desconhecidos. Valha-nos a paisagem da Beira Alta.
ResponderEliminarHá poesia, mesmo, Daniel. Na verdade, eu adoro estas velharias, tudo o que se relaciona com estes comboios me encanta. Em especial, as mensagens emitidas por humanos! em direto via intercomunicador.
EliminarOlhe que deve ser ainda melhor do que a Honda, eh eh 😁😊
Acrescento: As paisagens ao longo do Tejo, Rodao, Alpedrinha, etc. Transporta-nos ao Portugal de há 50 anos atrás, quando chegados às pontes, a velocidade era mansinha, não fosse o comboio cair ao rio. E que dizer de uma viagem entre a Guarda e Vilar Formoso? São 40 km de abandono ... por onde o gato perdeu as botas. Mesmo assim, vale a pena revisitar as viagens de comboio nos anos sessenta.
ResponderEliminarBem-vindo, caro Fernandes!
EliminarVale muito a pena, sim. E não sei se é abandono ou a paisagem no seu estado mais puro.
Enfim, é um pequeno paraíso à beira-mar plantado, acho eu.
Obrigada pelo comentário. 🙂