Pois saí da livraria - saí não, pá, fugi! - com quatro livros mirandeses nos braços, a marcação para um copo com a autora de um deles e a possibilidade de um novo marido arranjado ali no próprio dia e com o selo da terra, completamente garantido.
Só parei no seio de uma das hordas de espanhóis sem querer, tão azamboada esta pobre lisboeta ficou que quase não dava pela algaraviada em redor.
Abrimos um parêntesis para notar que em Miranda do Corvo, toda ali mais a sul, a identificação da vila vem sempre completa, nunca falhando a menção ao rio que lhe dá nome, nem que abreviado. Miranda sempre do Corvo.
Já essa outra Miranda ali de cima, essa esgrouviada desavergonhada, mãe do Mirandês e dadora de maridos assim de repente numa linda manhã de primavera, dispensa apresentações mais detalhadas, deixando o Douro de lado: é só Miranda que se lê nas tabuletas todas.
Metamo-nos à estrada, senhores, e verifiquemos o fenómeno pessoalmente, okay?
Porém, aqui a pobre lisboeta - não tendo optado pelo marido da região de origem controlada - não se salvou de um valente enamoramento e fez-se madrinha de um burranco*. Ah pois. Escovou-lhe o pêlo na lateral, enquanto ele tentava saborear a manga do casaco de algodão cardado que esta pobre envergava contra os frescos mirandeses, já um bocado velhinho.
Suspirando em fundo, atesta-se que os encantos dourenses suplantam as doidas marotices e aligeiram as hordas espanholas.
Difícil foi sair dali.
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*burro mirandês bebé