Mas adiante. Vinha eu pois embalada, imbuída de toda esta beleza em quantidade industrial a encher-me as medidas ali muito (ainda que a noite ocultasse a cena um bocado), na velocidade estabelecida em cento e oito quilómetros por hora e na via da direita como manda a lei, que eu nisso faço os possíveis devido ao amor extremo à vida, quando os meus olhos batem no veículo à frente, circulando sem luzes, aliás quase sem circular, parecendo mesmo parado, a aproximar-se muito rapidamente, na sua desiluminada traseira, de mim. O meu coração saltou completamente, o pé enterrou-se todo no travão e os pneus fizeram o generoso serviço de friccionar no asfalto com eficiência. Não colidi.
Mas quase tive um ataque cardíaco.
Portanto, queridos e afoitos colegas de estrada, ao decidirmos ir passear no carrinho, não optemos por circular a setenta à hora numa autoestrada sem bermas, o nosso carrinho sem luzes, aquelas na parte de trás que servem para assinalar a nossa presença, sabem, em tom encarnadinho, não optemos por fazer isso numa noite de chuva inaugural, já toda outonal, não? Obrigadíssima, a sério, do coração.