a voz à solta


Se leio, saio de mim e vou aonde me levam. Se escrevo, saio de mim e vou aonde quero.

27/06/2026

Há dias assim

Por causa da promoção anunciada, o balcão do peixe do supermercado da vila beirã estava à pinha de fregueses locais. Era bacalhaus inteiros tzimmm tzimmm cortados às postas (mais largas no meio), era chicharros à grande, era sardinhas aos sacos cheios. Tinha onze números à frente e se não fosse a minha obstinação de sábado direcionada a um almoço de sardinhas desse lá por onde desse, eu tinha-me já posto a andar com a senha de vez a colapsar na mão.
Mas fiquei ali muito bem, obrigada, a observar as compras em redor e a celeridade com que afinal as duas funcionárias da peixaria despachavam os números do chamador. Noventa e uuummm!! Enquanto tentava não encostar a barriga nem nada de meu ao dito balcão piscatório e me desviava para deixar passar carrinhos de compras, estruturas de reposição com rodas empurradas por funcionários a pedir licença por todo o lado ou sacos a pingar água suspeita que passavam pendurados nas freguesas já aviadas, o meu apetite foi-se aguçando que nem doido.
Todavia, mantive-me firme e hirta nas intenções e, quando chegou a minha vez, não deixei que da minha boca saísse um número inflacionado nem nada: pedi as cinco unidades por pessoa, apesar da vontade ali crescida de levar doze só para mim. 

8 comentários:

  1. Tzimmm tzimmm também para ti, Susana, tão desaparecida!

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  2. Hmmmm, cinco, se me permite, é número que não dá sequer para matar saudades! Nas terras dos meus antepassados, a unidade padrão (passe a rima) era o quarteirão. A dúzia seria aceitável, em dias de menos apetite. Cinco, era aperitivo (recordo o meu espanto ao descobrir, há muitos anos, que os restaurantes da capital se ficavam pela meia dúzia)…

    (Mas o fundamental é, estavam boas?)

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    1. É certo que cinco é um número comedido, mas doze, enfim, nesta minha idade avançada e visto que não ando a cavar batatas nem a lavrar a terra (embora às vezes bem me apeteça mudar de ofício nesse sentido) já é capaz de ser demais.
      Ai mas estavam excelentes.

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  3. O que se faz por gosto não cansa. Espero que lhe tenham sabido bem.
    Eu, fui num saltinho à minha terra e esperei 45m a porta do estabelecimento, até poder entrar e saborear uma rabanada.
    Boa tarde

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    1. Uma rabanada também faz as minhas delícias! Normalmente no Natal. Será tradição comê-las em Junho na sua terra?

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  4. Sabia que são melhores em setembro? Dizem que este ano em junho não estão grande coisa...mas não as provei! Mas grelhar sardinhas em casa mesmo com quintal é de grande coragem...muito bem Susana:)

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    1. CC, eu sabia que em Agosto elas são mais gordinhas, em Setembro não sabia. Mas não consigo esperar tanto tempo. Estava mesmo precisada de um almocinho assim. 😊

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