a voz à solta


Se leio, saio de mim e vou aonde me levam. Se escrevo, saio de mim e vou aonde quero.
A apresentar mensagens correspondentes à consulta judite de carvalho ordenadas por relevância. Ordenar por data Mostrar todas as mensagens
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10/09/2024

Uma incerteza

Por causa da Maria Judite de Carvalho, fico a pensar coisas novas e diferentes.
Não na cozinha que está a pedir renovação total com muita intensidade, ou no trabalho que por vezes me exige mais cérebro do que o meu, também não nas expressões que se usam como "ter mais mundo", quando alguém não é fútil, ou "não estou a saber lidar", quando se acha outro ser demasiadamente adorável e se o quer esmagar de "amor" (e me irritam muito, grrrr). Nem, por exemplo - é só mais isto -, nas manchinhas muito feias que vêm cobrindo a minha pele.
Com a Maria Judite de Carvalho, a minha cabeça afasta-se do próprio umbigo e fica maiorzinha por dentro.
Agora mesmo trouxe-me a divertida interrogação sobre quando virá o dia em que, pela primeira vez, alguém me vai dar o lugar no autocarro. Tenho um bocado de medo desse dia. Quero que ele nunca chegue.

(Mas não tenho a certeza.)

06/09/2024

A janela fingida

No ano muito antigo em que imensas pessoas, entre as quais eu, nasceram, não havia Internet nenhuma. Nem sequer a palavra Internet havia. E portanto também não havia blogs, posts, likes, etc. Era o tempo da telefonia, dos automóveis que pediam água para acalmar as temperaturas cansadas do caminho, e às vezes também óleo mas por outras razões, era o tempo da Crónica Feminina, uma revistinha que contava mentiras de amor e que a nossa empregada lia muito. Era o tempo da acetona, dos panos para engomar as calças do fato, da mioleira. Das resistências que os miúdos ofereciam às mães - e só a elas, se as tinham - quando estas lhes punham no prato os nojentos miolos de vaca misturados, para disfarçar, com ovos mexidos. Era o tempo dos domingos, dos passeios de automóvel, das idas ao Estoril. 
Nesse ano muito antigo, não havia portanto blogs nem os posts que os "alimentam". Mas, ao contrário do que possa parecer, havia-os com outros nomes: textos publicados num jornal diário (feito em papel).
Estava aqui a ler alguns destes textos publicados, agora, em dois mil e vinte e quatro, eu já quase a ficar velhinha, e os textos (publicados) no quarto volume das Obras Completas de Maria Judite de Carvalho, um volume com três títulos: A janela fingida, O homem no arame, Além do quadro.
E estou a fazer-me não só sua seguidora, como sua fã. A deitar likes por todos os lados, é lindíssimo.
E por isso venho recomendar muito e com entusiasmo esta imensa leitura. Por favor.