Quando deixo o blogue abandonado por uma temporada, como tem
acontecido largo nesta primavera luxuriante, bem trabalhada, ele recebe muitas
visitas de países longínquos e origens não decifráveis, que são tudo mentira: serão sim os
robots. É uma espécie de como quando fica a casa, a real, deixada só. Ainda que
de portas e janelas trancadas, a natureza começa, devagar, a entrar. Pode ser
na forma de formigas, aranhas, centopeias, um rato, ou dois, uma lagartixa, diversos bichos indefinidos que serão encontrados mortos e, claro, uma data de pó.
Também se pode chamar a este processo o aumento da entropia, que é de aplicação
genérica e certa como a morte e os impostos e, segundo um meu cunhado, igualmente
certa como as mulheres pintarem o cabelo a partir de certa idade, e a partir de
outra idade pintarem-no de amarelo (ele quer dizer louro, mas percebe pouco de
tons).
E há dias, levei, sob o sol da tarde, os olhos ao céu azul
riscado de branco pelos aviões. Aí ocorreu-me sem querer que deviam estes – mas
é – ser designados totalmente de acordo com as suas elevadas potencialidades: haviões. Com propriedade, elevando-os ainda mais a uma conjugação especial do verbo
haver, em superlativo, tendo em mente a dificuldade que foi trazê-los de uma
ideia muito boa para uma real e complexa, repito elevada, existência.
Andava, porém, a evitar falar nisto (apesar de o blogue entregue
aos robots). Até que hoje de manhã, ao saber da última tuitada da Casa Branca, achei
que, sinceramente, este post que se escondia envergonhado, tímido, quase agonizante, afinal, roça praticamente
o científico.
(na verdade, tanto disparate junto assusta bastante)


