a voz à solta


Se leio, saio de mim e vou aonde me levam. Se escrevo, saio de mim e vou aonde quero.

27/06/2026

Há dias assim

Por causa da promoção anunciada, o balcão do peixe do supermercado da vila beirã estava à pinha de fregueses locais. Era bacalhaus inteiros tzimmm tzimmm cortados às postas (mais largas no meio), era chicharros à grande, era sardinhas aos sacos cheios. Tinha onze números à frente e se não fosse a minha obstinação de sábado direcionada a um almoço de sardinhas desse lá por onde desse, eu tinha-me já posto a andar com a senha de vez a colapsar na mão.
Mas fiquei ali muito bem, obrigada, a observar as compras em redor e a celeridade com que afinal as duas funcionárias da peixaria despachavam os números do chamador. Noventa e uuummm!! Enquanto tentava não encostar a barriga nem nada de meu ao dito balcão piscatório e me desviava para deixar passar carrinhos de compras, estruturas de reposição com rodas empurradas por funcionários a pedir licença por todo o lado ou sacos a pingar água suspeita que passavam pendurados nas freguesas já aviadas, o meu apetite foi-se aguçando que nem doido.
Todavia, mantive-me firme e hirta nas intenções e, quando chegou a minha vez, não deixei que da minha boca saísse um número inflacionado nem nada: pedi as cinco unidades por pessoa, apesar da vontade ali crescida de levar doze só para mim. 

Sem comentários:

Enviar um comentário