Telefonei ao veterinário. Um pouco envergonhada, é certo. Perguntei
primeiro se por lá estava tudo bem. Estava, estava, mas com menos pessoal,
horário reduzido. Ah, que bom. Haveria, então, continuei, possibilidade de cortarem as unhas à gata devido a eu ser pouco rápida e nada
experiente no manuseamento da ferramenta e ter um medo que eu própria
sei lá de magoar a bichinha? E que desculpassem o incómodo por questão assim pouco
premente, ainda disse. Não há problema, pode passar por cá, entrega a gatinha
nas mãos dos profissionais de saúde animal e fica à porta. Os tutores não
entram, compreende, ficam lá fora.
Eu não aproveitei para informar que tutora não sou de gata
nenhuma, que isso é o quê precisamente, não. Pareceu-me desadequado em cima da
pouca vergonha que eu já tinha (não era muita vergonha, portanto era pouca).
Então optei por agradecer e desligar.
Também não informei que a gata em causa escolheu ela
própria um outro tutor, sim tutor. Foi patinha para cá e patinha para lá, um
interesse, uma atenção. Que houve uma tutoria toda ali, houve. Eis o registo em
imagens que não me deixam mentir.
Mas tenho boas notícias: apanhei-a, depois de toda
aquela interação com o seu tutor na televisão (interativa, claro), a dormir. De modo que me
enchi de coragem e, com sua licença, comecei numa pata e acabei noutra. Contam-se atualmente dezoito unhas de gato no meu logbook. Dezoito
pontinhas, por segurança.





